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diário de um quiosque

O Pacheco Pereira tornou-se uma espécie de Ardinario da política [caracteres extra para não me estragar o template do blog]

A Casa

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Cumpri hoje um velho sonho que acalentava desde que aprendi a escrever. Mais propriamente, desde o dia que aprendi a escrever “agora é obrigar o proença a pagar quotas vitalícias”, num Benfica-1 Sporting-3 que marcou a minha estreia na nova Luz, em que o gamanço começou logo aos 5 minutos num penalty fantasma inventado pelo Silva.

Ele há experiências que um homem tem obrigatoriamente que passar antes que uma trombose ou uma micose aguda no escroto o lixem para o resto da vida. Ver de perto as Cataratas de Iguaçu é uma delas. Passar as mãos pelas nádegas da Furnikova, uma russa que no Verão de 98 passou pela Passerelle da antiga States, ali perto da Cruz de Celas, é também uma sensação inolvidável. Assistir a um jogo do Benfica numa Casa do Benfica*, está no topo da lista.

Surpreendentemente ou não, esta Casa do Benfica (reparem que Casa do Benfica se escreve com letra grande, enquanto que por exemplo mansão do Ronaldo vem em letra pequena, isto já quer dizer alguma coisa) é totalmente vermelha. O tapete da entrada é vermelho, os degraus da escada são vermelhos, as paredes são vermelhas, todas as portas são vermelhas, o estrado junto ao bar é vermelho, o indicador de água fria do lavatório da casa de banho é vermelho e o sangue do velho que se cortou na mini, perto do minuto 70… é vermelho. Só o urinol é branco, numa homenagem aos calções do Néné. Isto significa que fulano que se atreva a ir de vermelho é menino para passar despercebido durante todo o jogo, a menos que perto do minuto 70 solte um “filho da puta que já nos gamou outra vez… ai foda-se que me cortei todo na puta da mini”.

Infelizmente não cheguei a tempo de arranjar um bom lugar. A única coisinha disponível era mesmo em frente ao ecrã gigante, tão gigante que mais parecia estar a assistir a um jogo de ténis ao vivo. Estava mais perto do ecrã que o proença do Lisandro ao minuto 70 (reparem na letra pequena em proença, isto quer dizer alguma coisa, já nem o corrector ortográfico o corrige). Com isto aprendi uma lição: num jogo do Benfica na Casa do Benfica, deves colocar-te de costas para o ecrã durante o jogo, de bloco de notas na mão, e de frente para a plateia. O jogo em si não interessa. Se fores de fato-de-treino vermelho, melhor ainda, passas despercebido.

Na Casa do Benfica não passam jogos de outros clubes no ecrã gigante, mesmo enquanto os jogadores do Benfica estão a aquecer, meia hora antes do jogo. Há uma mini televisão perto da cozinha, onde está um homem incumbido de comunicar a todos os outros sempre que há um golo do Braga. Mesmo nas repetições há vivas e cerveja a voar. Na mini televisão passa um lance polémico dentro da área do Braga. “Achas que é penalty, Zé?”. O Zé responde, ao mesmo tempo que movimenta a cabeça para cima e para baixo: “Nem lhe toca”. O corpo quer responder, mas os neurónios benfiquistas não deixam. É este o espírito reinante na Casa do Benfica.

O jogo tem início e os conhecimentos futebolísticos de cada um começam a vir ao de cima. “Olha o Mantorras a jogar de início!!” É curioso como todos os pretos do Benfica são o Mantorras. O Luisão é o Mantorras. O Sidnei é o Mantorras, o Suazo é o Mantorras, até o Carlos Martins é o Mantorras. Não admira pois que seja considerado um Deus pelos adeptos benfiquistas. Mantorras está em todo o lado do campo, mesmo não tendo sido convocado.

Os jogadores do Porto mais insultados são, de longe, o Helton, o Fucile, o Rolando, o Bruno Alves, o Lucho, o Meireles, o Rodriguez, o Lisandro, o Vulk (não é gralha, é mesmo Vulk) e o proença, não necessariamente por esta ordem. O Fernando não é insultado porque alguns pensam que poderá ser o Mantorras. Curiosamente, todos eles parecem ter um animal de estimação que os acompanha ao longo do jogo: “o cabrão do Rodriguez”, “o boi do Bruno Alves”, o “macaco do Vulk”. Mais lá para a frente já são todos filhos da mesma puta.

O golo de Lebda, o russo, provoca uma explosão dentro da Casa. O gerente treme da cabeça aos pés, numa altura em que as taças de tinto começam a ganhar cada vez mais terreno em cima das mesas vermelhas. Hoje fiquei a saber o que é viver o início de um sismo de grau 8 na escala de Richter. “Eu não te disse que o russo marcava um golo hoje, pá? Eu não te disse, meu cabrão??”. “Disseste pá, tu dizes isso todos os jogos. Mas que se lixe, o que interessa é que Lebda, o russo, marcou, meu cabrão!”.

Termina a primeira parte e começam a chover golos do Braga a torto e a direito. O ambiente está ao rubro, o chão vermelho está a ficar preto, e o Nuno Gomes está a aquecer. Gera-se uma discussão onde se tenta adivinhar a idade do homem. Há quem diga que já chegou aos 40, outros juram que só conta 39. “Porra pá! 39?? O cabrão ganha 90 mil contos por mês, pá! Tem no máximo 38”.

Entra o Di Maria. Entra também a maior verdade saída de um residente da Casa: “Este cabrão é um flop. É a coisinha mais inconsequente que existe nesta equipa. Teve a sorte de, numa altura em que o único futebol que se jogava no mundo – em Pequim – haver meio mundo futebolístico a observá-lo, ter conseguido umas exibições engraçadas e ver o seu passe valorizado até uns ridículos 25 milhões de euros. E teve a sorte de, na única coisinha de jeito que fez neste clube, ter como observador na bancada o cabrão do Maradona. O que é que estes gajos estão à espera para o despachar??”. No geral, penso que estive bem, mas a avaliar pelas caras, ninguém me compreendeu.

O jogo e o espectáculo acabaram, evidentemente, aos 70 minutos.

Agora venha de lá essa micose aguda no escroto, ou uma trombose assassina, que eu já posso ir em paz descansado.

*cliente deste quiosque desde 2005, leva a Bola, claro. E o 24 Horas, quando oferece talheres, pratos ou copos. Quase sempre, portanto.

Publicado também aqui.
posted by ardinario, 2/09/2009 11:49:00 da manhã

1 Comments:

Muito bom! :-)

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