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diário de um quiosque

O Pacheco Pereira tornou-se uma espécie de Ardinario da política [caracteres extra para não me estragar o template do blog]

Jornal 1X2 (parte 2)

quinta-feira, maio 03, 2007

Nascido no ano de 1979, o Jornal 1X2 é de longe a grande referência jornalística dos apostadores de todo o país. Valha a verdade que é também a única, mas isso só vem provar que estão a fazer um óptimo trabalho.

O Jornal 1X2 não é um jornal qualquer. O próprio nome indica desde logo uma fidelidade às suas origens, nos remotos tempos em que o totobola fazia as delícias dos apostadores. E o facto de ainda hoje haver uma bola de futebol a substituir a letra o da palavra jornal diz bem da importância do totobola nas origens do Jornal 1X2.









No Jornal 1X2 não há lugar a manchetes bombásticas. O facto do número 5 ter saído 7 vezes consecutivas no sorteio do totoloto não faz dele cabeça de cartaz na primeira página da edição seguinte. E essa história do 23 andar afastado do sorteio do euromilhões desde Setembro de 2006 não lhe dá sequer direito a um Arial Bold 72 na respectiva secção. Quanto muito, destaca-se um ou outro jackpot ou um sistema de apostas mais ousado, mas nada de fulgurante que faça o leitor perder a cabeça e esbanjar as suas poupanças na casa de apostas mais próxima.

Presume-se que a euforia não seja o estado de espírito reinante na direcção do jornal. Tirando talvez aquele episódio no qual a intrusa bola zero surgiu de rompante no meio de um rotineiro sorteio do totoloto, de resto adivinha-se um ambiente calmo e relaxado nas instalações do jornal. Não haverá, porventura, telefonemas de indignação ou surpresa entre colegas, como que questionando ou duvidando deste ou daquele sorteio. Existirá apenas uma reacção possível a uma típica extracção da lotaria popular: resignação perante o resultado.

No Jornal 1X2 também não há lugar a crónicas ou artigos de opinião. A chave vencedora do Loto 2 foi a 3-15-18-27-28-41 e ponto final. Não há quem a ponha em causa. Nem críticas, nem elogios, nem agradecimentos ou aplausos à combinação milionária. Não há resultados justos nem se pede uma mudança de óleo à máquina que extrai os números. Faz-se um comentário breve a cada concurso, acrescentam-se os dados à estatística e actualiza-se a página das saídas, atrasos e combinações. Ponto.

No Jornal 1X2 não cabem fotografias dos protagonistas e muito menos reportagens. Nem mesmo o fanfarrão do joker tem direito a qualquer entrevista de fundo. Um espaço para o horóscopo até faria algum sentido, mas isso seria uma afronta ao objectivo do jornal: oferecer um sem número de estatísticas referente a qualquer jogo de apostas com o propósito de aumentar a probabilidade de acerto de cada apostador.

O Jornal 1X2 é do mais puro que se pode encontrar. Tirando um ou outro desdobramento mais duvidoso, não há esquemas para derrubar aquele indivíduo que escolheu o número errado na sociedade de totoloto lá da terra. Além disso, é impossível apontar o dedo a qualquer fornada de informação ali inserida. Se o quadro diz que a parelha de estrelas 2 e 7 não se encontra já lá vão 122 semanas, quem somos nós para contestar? Há quem duvide que o valor do 11º prémio do sorteio de 2 de Fevereiro foi de 10,64€ e nem mais um cêntimo? É ou não verdade que a Naval não vence há 6 jornadas e que o Paços de Ferreira nunca perdeu na Amadora?
Existe no jornalismo português informação mais fidedigna que esta?

No entanto, algo me intriga no idealismo do jornal. Se pretendem criar excêntricos por esse país fora a troco de 1€, não correm o risco de perder leitores a cada semana que passa? Afinal, quem é o multimilionário que volta o comprar o Jornal 1X2?
posted by ardinario, 5/03/2007 04:27:00 da tarde

5 Comments:

Senhor,

Já tinha escrito um comentário mais elaborado, mas uma tecla traidora mandou-o para o céu. Dizia eu, para começar, que a minha opção pelo anonimato se deve, pelo menos neste caso (ih ih), ao facto de ter uma muito medíocre relação com as outras alternativas constantes neste caixote para comentários. Adiante. Não sou consumidor de blogs, maas um texto no DN de Ferreira Fernandes (sujeito que às vezes me irrita e outras nem desgosto...) falava da campanha governosa a respeito do destino que teriam Judites ou Abrunhosas se não tivessem ido além da terceira classe. Ora a curiosidade continua a matar o gato, e lá fui eu, e aqui estou eu, anónimo, portanto, mas de modo nenhum pedindo desculpa por isso, até porque nestas quase duas horas que já ganhei a coscuvilhar as ardinarices, tão elegantes (!) e de sereno (?) bom humor, ainda não percebi, sequer, se os seis metros quadrados de quiosque moram em Braga (Minho), em Torre de Dona Chama (Trás-os-Montes), em Almourol (digo, na margem do rio, e nao na ilha, Ribatejo, acho..) em Bragança (outra vez Trás-os- Montes, mas mais a Norte) ou na Amadora (Estremadura) , a que alguém roubou o nome de Porcalhota... Adiante, de novo. E concluo: já estais nos meus favoritos.
commented by Anonymous Anónimo, 5/03/2007 5:18 da tarde  
Olá,
também foi o Ferreire Fernandes que me «enviou» para aqui; dei uma voltita no google para o encontrar.Só venho dizer que gostei muito do que li- está certo que ainda foi pouco-mas já deu para perceber que se trata de um blog de qualidade.
Cumprimentos
Maria Elisa, (aqui algures em Vila Nova de Gaia)
commented by Anonymous Anónimo, 5/03/2007 5:39 da tarde  
O que me surpreende nesse periódico, é a longevidade. Ele é de um tempo em que se acreditava na descoberta de um "método científico" para conseguir fintar a sorte e que lançou dezenas e dezenas de pessoas, quais alquimistas contemporâneos, na busca da "receita infalível". A longevidade do "1X2", é a prova de que poucos acreditam na Matemática.:))
Ainda bem que o ardinário voltou de férias. Já voltaste a fumar?
commented by Anonymous Janicio, 5/03/2007 7:36 da tarde  
Caro anónimo voluntário, já há demasiadas pistas espalhadas pelo blog que permitem identificar a cidade. Mas para a semana vou propor uma troca de informações aos leitores...
Zé, a longevidade do 1x2 é um feito notável :)
Janicio, aquele cigarro que me eliminou do "notas de fumo"... já ardeu! A luta continua

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